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Os
Ucranianos
Grupo Folclórico do Centro Brasileiro de Estudos
Ucranianos de Curitiba
Quando se fala em imigrantes no Brasil, a primeira lembrança
é a de portugueses, italianos, alemães ou japoneses, que
realmente formam a maioria daqueles que, vindos de outras terras, aqui
se estabeleceram, criaram raízes e muito ajudaram a fazer deste
país uma nação. Mas acontece que, na realidade, esses
povos são apenas uma parcela dos muitos que para aqui vieram trazendo
sua força de trabalho, seus conhecimentos e sua cultura, e que,
embora formando núcleos menos numerosos, fizeram do Brasil a sua
pátria e têm retribuído com amor e trabalho a maneira
como ele os recebeu.
Os ucranianos estabelecidos em sua grande maioria no
Estado do Paraná, formam uma comunidade coesa que, apesar de composta
atualmente, na sua quase totalidade, por brasileiros natos (mais de 90%),
procura manter bem viva a lembrança, os costumes e a tradição
de sua terra de origem, isto sem querer dizer que não sejam ativos
participantes dos problemas comuns que a todos nós dizem respeito.
A chegada dos primeiros ucranianos ao Brasil é
um fato que nunca ficou bem determinado, devido à total falta de
documentação.
A maioria dos autores fixa o ano de 1895, quando chegou
ao Paraná a primeira grande leva de colonos vindos da Galícia
(na região de Lvov, próxima à fronteira com a Polônia),
embora existam afirmações de grupos de ucranianos vindos
para cá em 1871 e 1876.
No entanto, ao que se pode deduzir, esses colonos se
diluíram entre os habitantes locais e deles só restam seus
nomes de família
na lista de imigrantes eslavos, que encontra no arquivo
da Ucrânia.
Nas horas de lazer, os lavradores deixam o campo e
sse juntam para tocar músicas da pátria de origem.
Eles fabricam o próprio instrumento.
Os ucranianos chegaram ao Estado do Paraná
em três etapas distintas:
A primeira, que data do final do século XIX, foi
feita por lavradores que emigraram da Galícia e de Bukovina por
razões sócio-econômicas; a
segunda se deu por questões políticas,
quando, no início dos anos 20 (século XX), a Ucrânia
Ocidental foi posta sob a soberania da Polônia, fato que ocasionou
um grande êxodo de ucranianos para os países das Américas,
vindo uma parte para o Paraná; e a terceira, que se constituiu no
maior movimento emigratório ucraniano, aconteceu após a Segunda
Guerra Mundial, quando mais de duzentos mil ucranianos vieram para países
americanos, sendo que de novo foi o Paraná o Estado preferido por
eles. |
Pratos típicos ucranianos
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Apesar de os censos oficiais serem incompletos, pois os
ucranianos que aqui chegaram eram registrados nos portos de entrada como
austríacos ou poloneses, de acordo com os passaportes fornecidos
pelos governos de ocupação das suas regiões de
origem, calcula-se que o grupo étnico ucraniano
é constituído de 200 mil pessoas, sendo que 78% delas vivem
no Paraná.
Aí são encontradas comunidades ucranianas
em Prudentópolis, onde elas constituem a maioria da população
(cerca de 76%), Curitiba, Apucarana, Guarapuava, Dorizon, Ivaí,
Irati, Ponta Grossa, Pato Branco, Pitanga, Roncador e União da Vitória,
entre
outras. Na sua maioria, os imigrantes vindos para o Paraná
dedicaram-se à agricultura. Experientes cultivadores do trigo foram
eles os primeiros a instalar no estado a indústria
moageira. Mas não se restringiram a essa cultura, pois passaram
a exercer atividades nos setores do cultivo do café, do algodão,
da hortelã, etc. A outra parte, que não se dedicou à
agricultura, voltou-se para diversas atividades industriais, destacando-se
sobretudo no fabrico de móveis, em atividades empresariais, em
especialidades técnicas e no exercício
de profissões liberais.
Ao longo dos cem anos de colonização
no Estado do Paraná, os ucranianos foram os responsáveis
pela implantação de novas lavouras e novos métodos
de cultivo da terra.
Durante o período, houve uma progressiva integração
com outros grupamentos étnicos, o que não impediu, no entanto,
que os
costumes e tradições trazidos de
seu país de origem se mativessem intactos. |
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| Grupos folclóricos da Igreja de
Vila Guaíra, em Cutitiba. |
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Oriundos de um país rico em tradições
artísticas, com um folclore dos mais admirados em toda a Europa,
os ucranianos que aqui chegaram não poderiam fugir à herança
cultural recebida de seus antepassados. E, à proporção
que o novo modo de vida e as circunstâncias o foram permitindo, eles
reviveram essas tradições, dando novo colorido à já
rica cultura popular da terra que escolheram como sua.
As danças e as canções populares
ucranianas têm origem geralmente nas manifestações
de antigos cultos religiosos, particularmente nos ligados às manifestações
da natureza. A dança revela tendências para o espaço,
intimamente ligada às vastas planícies do país. Elas
se caracterizam pelo ritmo cheio de vida, de coragem e de confiança,
extravasando uma alegria exuberante. Quanto às canções,
apresentam-se como uma manifestação perfeita da continuidade
da vida nacional desde os tempos pré-históricos, pagãos,
até o momento presente.
A Igreja Católica - tanto a
Romana quanto a Ortodoxa -
teve importante papel na colonização
ucraniana.
Em torno das igrejas e sob a liderança dos
padres, as cidades foram sendo construídas, as
lavouras desenvolveram-se e superados os obstáculos. |
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Mas, com certeza, o que melhor ilustra os sentimentos
ucranianos para a beleza e forma é a pessanka – a arte de
colorir ovos pascais. É a professora Eugênia Mazepa, da secretaria
do Estado do Paraná, que nos fala dessa antiga manifestação
da arte ucraniana.
A pessanka, palavra derivada do verbo pessaty
(escrever), data dos tempos do paganismo. Simboliza o renascimento da terra
na primavera, com sua promessa de boas-novas. Com o advento do cristianismo,
ela passou a simbolizar a Ressurreição – promessa
de um mundo melhor e mais feliz.
Cada região da Ucrânia tem seus desenhos
básicos para a pessanka, bem como símbolos e o seu
significado, que variam de
aldeia para aldeia. No entanto, nunca duas pessanky
são
idênticas. Elas podem ter vários significados, como por exemplo,
um
sinal de amor de quem presenteia, ou um poder curativo,
ou ainda o poder de proteger uma casa contra o fogo e a destruição.
Mas, na maioria dos casos, ela é considerada uma
espécie de talismã ou amuleto. Talvez uma das razões
que propiciaram o
sucesso dos ucranianos nas terras brasileiras.
Aula de pessanka na casa da família
Mazepa. Foto de Jorge Serathiuk
Os estudos sobre a vinda dos Ucranianos para o Brasil,
contidos no livro “Os Ucranianos” de Oksana Boruszenko, professora da Universidade
Federal do Paraná e descendente de ucranianos, muito ajudaram ao
autor a fazer esta reportagem.
Texto de Tarlis Batista
Paraná: Viagem à Terra dos Ucranianos
/ Tarlis Batista in Revista Geográfica Universal, N.º 134,
29-35, Rio de Janeiro: Bloch Editores S.A.,Janeiro de 1986.
Fotos: Sérgio de Souza
Foto da Aula de pessanka: Jorge Serathiuk |