O Leite
No final
do século XX, havia em Minas cerca de 200 mil produtores de leite,
responsáveis por uma produção total superior a 3 bilhões
e 500 milhões de litros anuais, e calcula-se que cerca de 2 milhões
de pessoas trabalhavam no setor, desde a produção até
a industrialização e comercialização de laticínios.
Para
muitas fazendas, produzir leite é uma atividade quase marginal,
uma complementação dos ganhos mensais. Em outras, leite é
o principal produto.
Dando
lucros ou não, a vaca leiteira é personagem central de todo
o interior de Minas, e houve até um governador do Estado que pretendeu
criar duas vaquinhas nos jardins do Palácio da Liberdade, em Belo
Horizonte, para ter leite fresco todas as manhãs.
Nas rodovias
que ligam Minas a São Paulo, Goiás e Bahia, é comum
o viajante encontrar placas anunciando que ali se vende “leite ao pé
da vaca”, e quem tiver nostalgia dos tempos de criança na fazenda
é só descer do carro e matar as saudades, em troca de alguns
trocados.
A pecuária
leiteira, à base de gado Holandês, Gir e Guzerá, espalhou-se
por quase todas as regiões de Minas, estimulando a criação
de grandes cooperativas, e a partir dos anos 30, e atraindo empresas multinacionais
suíças, norte-americanas, inglesas e francesas, que se instalaram
no Estado para industrializar o leite e experimentaram grande crescimento
na década de 70.
Toda
essa tradição reflete-se no almoço ou jantar de cada
dia, quando o mineiro põe a mesa o doce de leite ou o queijo com
goiabada, mas é na balança da economia que ela pesa mais:
Minas possui o maior rebanho bovino brasileiro, com mais de 20 milhões
de cabeças, e é o Estado que mais produz leite, com 30% do
total nacional.
Nas fazendas
mais antigas e tradicionais, no Mucuri, no Rio Doce ou no Jequitinhonha,
que o viajante irá se deliciar com a magia de um mergulho no passado:
o vaqueiro que acorda de madrugada e vai para o curral tirar o leite com
as mãos, bebendo ali mesmo o líquido quente, misturado com
beiju de milho.
Depois,
em grandes latões, o leite vai para uma carroça ou carro
maior, puxado por bois pela estradinha de terra até a cooperativa
mais próxima ou distribuindo os litros de leite na porta das casas
do povoado, como se fazia a um século.